Nakasendo: a trilha de Magome a Tsumago

O Nakasendo (中山道, "estrada da montanha central") foi uma das cinco grandes estradas do período Edo, ligando Edo (Tóquio) a Quioto pelo interior, com 69 vilas-estação. O trecho mais preservado e mais percorrido hoje é a trilha de cerca de 8 quilômetros entre Magome e Tsumago, no vale de Kiso, que leva de 2h30 a 3h30 a pé por calçamento de pedra, florestas e vilarejos de madeira. A caminhada é gratuita.

Região
Vale de Kiso (Gifu e Nagano)
Kanji
中山道 (馬籠宿・妻籠宿)
Horário
Trilha aberta o ano todo, lojas em geral das 9h às 17h
Entrada
Gratuita, ônibus Nakatsugawa–Magome 800 ienes (2025)
Estação mais próxima
Nakatsugawa (para Magome) e Nagiso (para Tsumago)
Tempo de visita
1 dia, trilha de 2h30 a 3h30
Nesta página
  1. História: a estrada dos senhores feudais
  2. O que ver
  3. Dicas práticas
  4. Como chegar
  5. Arredores
  6. Perguntas frequentes

História: a estrada dos senhores feudais

O xogunato Tokugawa organizou as Cinco Estradas (Gokaido) a partir de Nihonbashi, em Edo, no início do século 17. O Nakasendo tinha cerca de 530 quilômetros e era a alternativa ao Tokaido, que seguia o litoral: mais longo e montanhoso, mas sem rios largos para atravessar de barco. Por ele passavam os cortejos dos senhores feudais (daimyo), obrigados pelo sistema de residência alternada (sankin kotai) a viver um ano em Edo e outro no próprio domínio. Mais sobre esse sistema em xogunato.

As vilas-estação (shukuba) tinham hospedarias oficiais, como o honjin para os senhores e o waki-honjin para os de menor nível, além de pousadas comuns (hatago). O trecho do vale de Kiso, chamado Kisoji, tinha 11 delas. Com a chegada da ferrovia no fim do século 19, o tráfego desapareceu e as vilas empobreceram, o que acabou preservando as construções.

Tsumago foi pioneira na preservação: a partir de 1968 os moradores adotaram a regra de "não vender, não alugar, não demolir", e em 1976 a vila foi uma das primeiras áreas do país declaradas Distrito de Preservação de Construções Tradicionais. Magome sofreu incêndios em 1895 e 1915 e foi reconstruída no estilo antigo. É a terra natal do escritor Shimazaki Toson, autor de Antes do Amanhecer (Yoake mae), romance ambientado na vila durante a Restauração Meiji.

O que ver

Magome-juku

A 43ª estação do Nakasendo fica numa encosta íngreme: a rua principal de pedra sobe cerca de 600 metros entre casas de madeira, rodas d'água e lojas de doces como gohei mochi (bolinho de arroz grelhado no espeto com molho de missô e nozes) e kuri kinton, doce de castanha do outono. O museu memorial de Toson fica no antigo honjin. No alto, o mirante Tenbodai mostra o monte Ena.

A trilha

De Magome, a trilha sobe por cerca de 2 quilômetros até o Passo de Magome (801 metros) e depois desce quase o tempo todo por florestas de cedros e ciprestes. No caminho ficam as cachoeiras gêmeas Odaki e Medaki e a Tateba Chaya, antiga casa de chá do período Edo onde um voluntário costuma servir chá verde de graça a quem passa. A trilha é sinalizada em inglês e cruza vilarejos e algumas estradas asfaltadas.

Tsumago-juku

A 42ª estação, mais plana que Magome, com madeira escurecida pelo tempo, fachadas de treliça de madeira e sem fios elétricos aparentes na rua principal. O Waki-honjin Okuya, casa de 1877 feita de cipreste, funciona como museu junto com o Museu de História Local. À noite, com as lojas fechadas, a vila fica quase como no século 19.

Dicas práticas

  • Sentido: começar em Magome e terminar em Tsumago é mais fácil, porque se sobe menos.
  • Malas: de março a novembro, os centros de informação turística das duas vilas transportam bagagem de uma para a outra por cerca de 1.000 ienes por volume, com entrega no fim da manhã e retirada à tarde. Confirme o horário de entrega no dia.
  • Ursos: há ursos-negros no vale de Kiso. Ao longo da trilha há sinos fixos para tocar; muitos caminhantes levam sininho próprio.
  • Época: abril a maio e meados de outubro a novembro, com o koyo no fim de outubro. Junho e julho são chuvosos; no inverno o passo pode ter neve e gelo.
  • Calçado: tênis de caminhada bastam; o calçamento de pedra fica escorregadio na chuva.
  • Dormir na vila: passar a noite numa minshuku ou ryokan em Tsumago ou Magome permite ver as ruas vazias de manhã cedo. As vagas são poucas.

Como chegar

De Nagoya, o expresso limitado JR Shinano leva cerca de 50 minutos até Nakatsugawa; de lá, ônibus vão a Magome em cerca de 25 minutos, por 800 ienes (valores de 2025). Ao terminar em Tsumago, caminhe cerca de 50 minutos ou pegue ônibus de cerca de 10 minutos até a estação Nagiso, na mesma linha JR Chuo, e volte de trem para Nagoya ou siga para Matsumoto. O Shinano é coberto pelo JR Pass. De Tóquio, o trajeto mais rápido é de shinkansen até Nagoya.

Arredores

Mais ao norte no vale ficam Narai-juku, vila-estação com cerca de 1 quilômetro de casas preservadas, e Kiso-Fukushima, com o antigo posto de controle (sekisho). O Castelo de Matsumoto fica a cerca de 1h30 de trem de Nagiso, e Takayama, outra cidade de casas de madeira do período Edo, fica a cerca de 2h30 de ônibus e trem.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva a trilha de Magome a Tsumago?

Entre 2h30 e 3h30 para cerca de 8 quilômetros, com paradas. Começando em Magome, a maior parte do caminho é de descida.

Precisa de guia para o Nakasendo?

Não. O trecho Magome–Tsumago é sinalizado em inglês e fácil de seguir. Guias são úteis apenas para quem quer fazer vários dias pelo vale de Kiso.

Onde deixar a mala na trilha do Nakasendo?

Os centros turísticos de Magome e Tsumago oferecem transporte de malas entre as duas vilas, cerca de 1.000 ienes por volume de março a novembro.

Atualizado em 14/10/2026 · Seção: Atrações e pontos turísticos