Tsunami no Japão: história, maiores ondas e riscos
O Japão é o país mais exposto a tsunamis do mundo: sua costa do Pacífico fica diante de fossas oceânicas onde ocorrem terremotos de magnitude 8 e 9, e a própria palavra tsunami (津波) é japonesa, formada por tsu (porto) e nami (onda). O pior tsunami recente foi o de 11 de março de 2011, com ondas que subiram até 40,1 m em Miyako (Iwate) e cerca de 18 mil mortos e desaparecidos.
- Palavra
- 津波 (onda do porto)
- Maior onda medida
- 40,1 m em Miyako (2011)
- Tsunami mais mortal
- Meiji-Sanriku 1896 (cerca de 22.000)
- Órgão de alerta
- JMA (気象庁)
- Tempo do primeiro alerta
- cerca de 3 minutos
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O que é um tsunami e por que o Japão sofre tanto
Um tsunami nasce quando um terremoto submarino desloca verticalmente o fundo do mar. Em alto-mar a onda tem poucos centímetros, mas viaja a mais de 700 km/h; em águas rasas, desacelera e cresce.
A costa de Sanriku, em Iwate e Miyagi, é a mais atingida: as baías recortadas em forma de V (ria) afunilam a água e multiplicam a altura. Já a costa entre Shizuoka e Kochi fica diante da Fossa de Nankai, onde as ondas podem chegar em poucos minutos. O lado do Mar do Japão tem risco menor, mas não nulo, como mostraram 1983, 1993 e 2024.
Os maiores tsunamis da história do Japão
| Ano | Evento | Onda máxima | Mortos |
|---|---|---|---|
| 1707 | Terremoto de Hoei (Nankai) | mais de 10 m | de 5.000 a 20.000 (estimativas variam) |
| 1896 | Meiji-Sanriku | 38,2 m (Ofunato) | cerca de 22.000 |
| 1933 | Showa-Sanriku | 28,7 m | cerca de 3.000 |
| 1960 | Tsunami do Chile (M9,5) | cerca de 6 m | 142 no Japão |
| 1983 | Nihonkai-Chubu | cerca de 14 m | 104 |
| 1993 | Hokkaido-Nansei-oki (Okushiri) | 31,7 m | 230 |
| 2011 | Tohoku | 40,1 m (Miyako) | cerca de 18.400 |
| 2024 | Noto | 11,3 m (run-up em Wajima) | poucas vítimas diretas do tsunami |
O tsunami de 1960 é um caso didático: o terremoto aconteceu no Chile e as ondas cruzaram o Pacífico em cerca de 22 horas, chegando sem que ninguém sentisse tremor. Foi depois dele que o Japão passou a monitorar tsunamis de origem distante. Em 2011 a onda superou os muros de proteção de 10 m de Taro (Miyako) e inundou a usina de Fukushima Daiichi, causando o acidente nuclear de Fukushima.
Pedras de tsunami e a lição de Aneyoshi
Ao longo de Sanriku há centenas de pedras memoriais (津波記念碑) erguidas depois de 1896 e 1933. A mais citada, no vilarejo de Aneyoshi (Miyako), diz: "Não construa casas abaixo deste ponto". Em 2011 a água parou cerca de 90 m antes dela, e as casas acima ficaram intactas. Outra lição local é o tsunami tendenko (津波てんでんこ): cada um foge sozinho para o alto, sem voltar para buscar os outros.
Tsunamis e alertas em 2024, 2025 e 2026
- 1º de janeiro de 2024, Noto: primeiro ōtsunami keihō (大津波警報, alerta de tsunami grande) desde 2011, para a costa de Ishikawa. Veja terremoto de Noto.
- 30 de julho de 2025, Kamchatka, M8,8: o tsunami atravessou o Pacífico e a JMA emitiu tsunami keihō (津波警報) de Hokkaido a Wakayama. A maior onda observada foi de 1,3 m em Kuji (Iwate); centenas de milhares de moradores receberam ordens de evacuação.
- 8 de dezembro de 2025, Aomori, M7,5: alerta de até 3 m para Hokkaido, Aomori e Iwate; a maior onda foi de cerca de 70 cm em Kuji.
- 20 de abril de 2026, Sanriku, M7,5: alerta de até 3 m para Iwate, Aomori e parte de Hokkaido; cerca de 80 cm medidos em Kuji, encerrado às 23h50 do mesmo dia.
- 28 de julho de 2026, Kumamoto, M7,1: tsunami chūihō (津波注意報) de 1 m para os mares de Ariake e Yatsushiro, cancelado sem ondas registradas.
O funcionamento desses alertas, com as categorias e os tempos de emissão, está em alerta de tsunami no Japão.
O risco futuro
O cenário mais grave é o megaterremoto de Nankai: a estimativa do governo de março de 2025 prevê ondas de até 34 m em Kuroshio (Kochi) e até 298 mil mortos no pior caso, a maioria pelo tsunami. A Fossa do Japão e a das Curilas também podem gerar ondas de mais de 20 m em Hokkaido e Iwate. Depois de 2011, o Japão ergueu cerca de 400 km de diques no litoral de Tohoku, alguns com mais de 14 m de altura, e espalhou placas azuis que indicam a altitude do terreno e o caminho para o ponto de evacuação (津波避難場所) ou o prédio de evacuação (津波避難ビル).
Perguntas frequentes
Por que tsunami é uma palavra japonesa?
Porque o fenômeno é frequente e devastador no Japão há séculos. 津波 significa "onda do porto": os pescadores voltavam do mar sem ter notado nada e encontravam o porto destruído. O termo entrou no vocabulário científico internacional no século XX.
Qual foi o maior tsunami do Japão?
Em altura, o de 11 de março de 2011, que chegou a 40,1 m de run-up em Miyako, Iwate. Em mortes, o de Meiji-Sanriku, em 1896, com cerca de 22 mil vítimas, número próximo ao de 2011.
Há risco de tsunami em Tóquio?
Baixo, mas existe. A Baía de Tóquio é protegida pela entrada estreita de Uraga, e as estimativas para Nankai preveem ondas de cerca de 2 a 3 m dentro dela. As áreas costeiras de Shizuoka, Kanagawa (Kamakura) e Chiba (Boso) têm risco bem maior.