Terremotos no Japão: por que acontecem tanto e quais foram os maiores

O Japão tem tantos terremotos porque fica sobre o encontro de quatro placas tectônicas: a do Pacífico e a das Filipinas mergulham sob a de Okhotsk (norte-americana) e a da Eurásia (Amur). Embora ocupe menos de 0,3% da superfície terrestre, o arquipélago concentra cerca de 20% dos terremotos de magnitude 6 ou mais do planeta. A Agência Meteorológica do Japão (JMA, 気象庁) registra, em anos normais, de mil a 2 mil tremores sentidos, a maioria leve.

Terremotos sentidos por ano
cerca de 1.000 a 2.000
Escala de intensidade
shindo de 0 a 7
Maior terremoto registrado
M9,0 (11/03/2011)
Placas tectônicas
4
Vulcões ativos
111
Nesta página
  1. Por que o Japão treme tanto
  2. Os maiores terremotos da história do Japão
  3. Terremotos recentes no Japão (2025–2026)
  4. Como o Japão convive com os terremotos
  5. Perguntas frequentes

Por que o Japão treme tanto

Ao longo da costa do Pacífico correm as grandes fossas oceânicas: a Fossa do Japão (日本海溝), diante de Tohoku, a Fossa das Curilas (千島海溝), diante de Hokkaido, a Fossa de Sagami, diante de Tóquio, e a Fossa de Nankai (南海トラフ), de Shizuoka a Kyushu. Nessas zonas de subducção a placa oceânica desce alguns centímetros por ano, acumula tensão e a libera de uma vez em terremotos de magnitude 8 ou 9, que costumam gerar tsunamis.

Há ainda as falhas ativas em terra (活断層), cerca de 2.000 mapeadas. Seus terremotos são menores, mas rasos e sob as cidades, como em Kobe em 1995 e em Kumamoto em 2016 e 2026. A mesma tectônica explica os vulcões do Japão.

Magnitude não é intensidade

A magnitude mede a energia liberada (cada ponto a mais equivale a cerca de 32 vezes mais energia); a intensidade mede quanto o chão tremeu em cada local. No Japão, ela é dada pela escala shindo (震度), de 0 a 7, com os níveis 5 e 6 divididos em fraco e forte (5-, 5+, 6-, 6+).

Os maiores terremotos da história do Japão

DataTerremotoMagnitudeMortos e desaparecidos
1º/09/1923Grande Terremoto de Kanto7,9cerca de 105.000
17/01/1995Hanshin-Awaji (Kobe)7,36.437
11/03/2011Tohoku (Grande Terremoto do Leste do Japão)9,0cerca de 18.400 (sem contar mortes indiretas)
14 e 16/04/2016Kumamoto6,5 e 7,350 diretos, mais de 270 com mortes relacionadas
1º/01/2024Península de Noto7,6cerca de 230 diretos, mais de 700 no total
28/07/2026Kumamoto (falha de Hinagu)7,138

Antes disso, o terremoto de Hoei (1707, cerca de M8,6) atingiu toda a Fossa de Nankai, e o de Meiji-Sanriku (1896) matou cerca de 22 mil pessoas, quase todas pelo tsunami.

Terremotos recentes no Japão (2025–2026)

  • 30 de julho de 2025, Kamchatka (Rússia), M8,8: não foi no Japão, mas gerou um tsunami keihō (津波警報) para a costa do Pacífico, de Hokkaido a Wakayama. A maior onda observada no Japão foi de 1,3 m no porto de Kuji (Iwate). Detalhes em alerta de tsunami.
  • 8 de dezembro de 2025, ao largo de Aomori, M7,5 (JMA): às 23h15, shindo 6+ em Hachinohe, alerta de tsunami para Hokkaido, Aomori e Iwate, ondas de até cerca de 70 cm e ao menos 47 feridos, sem mortes. A JMA emitiu pela primeira vez o aviso de possível terremoto subsequente para Hokkaido e Sanriku (北海道・三陸沖後発地震注意情報).
  • 20 de abril de 2026, ao largo de Sanriku, M7,5 (JMA): às 16h53, shindo 5+ em Hashikami (Aomori), alerta de tsunami de até 3 m; a onda máxima foi de cerca de 80 cm em Kuji. Dez feridos e novo aviso de terremoto subsequente, válido até 27 de abril.
  • 28 de julho de 2026, Kumamoto, M7,1 (JMA): às 16h27, na falha de Hinagu, shindo 7 em Uki e Hikawa. Foram 38 mortos (dados da província de Kumamoto), entre eles 9 na queda de uma chaminé em Yatsushiro e 7 no desabamento de um shopping. Houve tsunami chūihō (津波注意報) para os mares de Ariake e Yatsushiro, sem ondas registradas.

Como o Japão convive com os terremotos

O país investe em três frentes: o código de construção de 1981 (新耐震基準), que exige que prédios não desabem com shindo 6+ a 7 (casas anteriores concentram as mortes nos sismos recentes); o Alerta Antecipado de Terremoto (緊急地震速報), desde 2007, que toca no celular segundos antes das ondas mais fortes; e o treinamento no Dia da Prevenção de Desastres (防災の日), todo 1º de setembro, aniversário do sismo de 1923.

Para quem vai viajar ou mora lá, o essencial está no guia o que fazer em um terremoto. O risco mais estudado hoje é o megaterremoto de Nankai, cuja probabilidade em 30 anos foi recalculada em setembro de 2025 para "60% a 90% ou mais".

Perguntas frequentes

Quantos terremotos acontecem no Japão por ano?

Em média, a JMA registra entre 1.000 e 2.000 tremores sentidos (shindo 1 ou mais) por ano, número que dispara em anos de grandes sismos: em 2011 foram mais de 10 mil. Terremotos de shindo 5- ou mais acontecem algumas vezes por ano.

Qual foi o maior terremoto da história do Japão?

O de Tohoku, em 11 de março de 2011, com magnitude 9,0, o quarto maior já medido no mundo. Em número de mortos, o pior foi o Grande Terremoto de Kanto, de 1923, com cerca de 105 mil vítimas, a maioria em incêndios.

É seguro viajar para o Japão por causa dos terremotos?

Sim. O risco individual para um turista é baixo, os prédios modernos são projetados para sismos fortes e os alertas chegam ao celular em japonês e inglês. Vale baixar o app oficial Safety tips, da agência de turismo JNTO, e saber onde fica o ponto de evacuação do hotel.

Atualizado em 14/10/2026 · Seção: Natureza, clima e terremotos