Trabalhar no Japão: guia para brasileiros
Para trabalhar no Japão, o brasileiro precisa de um status de residência que permita trabalho: o visto de descendente (nisseis e sanseis, sem restrição de atividade), vistos profissionais como "Engenheiro/Especialista em Humanidades/Serviços Internacionais", o de trabalhador com habilidade específica (tokutei ginō) ou, a partir de 1º de dezembro de 2026, o programa de férias-trabalho para jovens de 18 a 30 anos. O salário mínimo médio nacional subiu para 1.177 ienes por hora no reajuste de 2026, aplicado entre outubro e dezembro conforme a província.
- Salário mínimo médio
- 1.177 ienes por hora (reajuste 2026–27)
- Adicional de hora extra
- 25% ou mais
- Agência pública de empregos
- Hello Work
- Acordo previdenciário Brasil-Japão
- em vigor desde 2012
- Férias-trabalho Brasil-Japão
- a partir de 1º/12/2026
Nesta página
Vistos que permitem trabalhar
| Status | Para quem | Restrição de trabalho |
|---|---|---|
| Cônjuge ou filho de japonês | nisseis, cônjuges de japoneses | nenhuma |
| Teijūsha (residente de longo prazo) | sanseis, cônjuges de nikkeis | nenhuma |
| Residente permanente | após anos de residência | nenhuma |
| Programa yonsei | bisnetos de 18 a 35 anos | nenhuma, mas exige apoiador e japonês |
| Engenheiro/Humanidades/Serviços Internacionais (技術・人文知識・国際業務) | formados com oferta de emprego qualificado | só a área do contrato |
| Trabalhador com habilidade específica (特定技能) | aprovados em teste de japonês e de habilidade do setor | só o setor autorizado (indústria, construção, cuidados, hotelaria, alimentação etc.) |
| Férias-trabalho (a partir de 1º/12/2026) | brasileiros de 18 a 30 anos | trabalho complementar à viagem; proibido em bares, casas noturnas e jogos |
| Estudante | matriculados em escola ou universidade | até 28 horas por semana, com autorização |
Turistas entram sem visto por até 90 dias, mas não podem trabalhar. O programa de estágio técnico (ginō jisshū) será substituído pelo novo sistema de "emprego para desenvolvimento de habilidades" (育成就労) até 2027.
Salários e jornada (valores de 2026)
| Item | Referência |
|---|---|
| Salário mínimo médio nacional | 1.177 ienes/hora (reajuste aprovado em 2026, vigência de outubro a dezembro conforme a província) |
| Salário mínimo de Tóquio | o mais alto do país, cerca de 1.280 ienes/hora após o reajuste de 2026 |
| Fábricas de Aichi e Shizuoka (empreiteira) | anúncios costumam oferecer de 1.300 a 1.700 ienes/hora |
| Hora extra (zangyō) | adicional mínimo de 25%; acima de 60 horas extras no mês, 50% |
| Trabalho noturno (22h às 5h) | adicional mínimo de 25% |
| Jornada legal | 8 horas por dia, 40 por semana |
| Pagamento | mensal, geralmente com dia fixo (dia 15 ou 25) |
O salário mínimo é definido por província e reajustado todo ano no outono. Com a desvalorização do iene desde 2022, o salário em reais rende menos do que nas décadas de 1990 e 2000, ponto importante para quem pretende mandar dinheiro ao Brasil.
Tipos de emprego
Fábrica via empreiteira (haken)
É o caminho tradicional dos dekasseguis. A empreiteira (haken gaisha) contrata o trabalhador e o aloca em fábricas de autopeças, eletrônicos, alimentos ou logística. Muitas oferecem apartamento (descontado do salário) e intérprete. A vantagem é não exigir japonês; a desvantagem, a instabilidade em crises, como a de 2008.
Contrato direto e efetivação
Trabalhadores com bom japonês podem ser contratados diretamente pela fábrica (chokusetsu koyō) e, com o tempo, efetivados (seishain), com bônus semestral e mais estabilidade.
Escritório, ensino e serviços
Vagas de escritório pedem em geral japonês de nível N2 do JLPT e domínio de keigo. Brasileiros também trabalham como professores de inglês, intérpretes em prefeituras, escolas e hospitais, atendentes em bancos e agências que atendem a comunidade, e em TI, onde o inglês às vezes basta.
Como procurar emprego
- Hello Work (ハローワーク): agência pública de empregos, gratuita, com atendimento em português em algumas unidades de cidades como Hamamatsu e Toyohashi.
- Empreiteiras: anunciam em sites e redes sociais em português; desconfie de quem cobra taxa de colocação.
- Portais de vagas: para trabalho qualificado, sites em inglês e japonês, além do LinkedIn.
Impostos, seguro e aposentadoria
Do salário bruto são descontados imposto de renda, imposto de residência (jūminzei, cobrado no ano seguinte), seguro de saúde, previdência (kōsei nenkin) e seguro-desemprego. O acordo previdenciário Brasil-Japão, em vigor desde 1º de março de 2012, permite somar o tempo de contribuição dos dois países para a aposentadoria. Quem sai definitivamente do Japão pode pedir o resgate parcial das contribuições (dattai ichijikin), até o limite de 5 anos. Detalhes de seguro-saúde e registro estão em morar no Japão.
Direitos e cuidados
- Exija contrato por escrito (koyō keiyakusho) com salário, jornada e local; empregadores são obrigados a informar essas condições.
- Confira o holerite (kyūyo meisai): hora extra, descontos de moradia e transporte.
- Férias remuneradas (yūkyū): 10 dias após 6 meses de trabalho, aumentando com o tempo de casa.
- Em caso de abuso, procure o Escritório de Inspeção de Normas Trabalhistas (労働基準監督署) ou os consulados do Brasil, que orientam em português.
Perguntas frequentes
Brasileiro sem descendência pode trabalhar no Japão?
Sim, mas precisa de um visto de trabalho ligado a uma oferta de emprego e à formação, do programa de habilidade específica (com teste de japonês e de habilidade) ou, entre 18 e 30 anos, do programa de férias-trabalho que começa em 1º de dezembro de 2026.
Quanto ganha um brasileiro numa fábrica no Japão?
Em fábricas via empreiteira em Aichi e Shizuoka, anúncios de 2026 costumam oferecer entre 1.300 e 1.700 ienes por hora. Com horas extras, a renda mensal bruta costuma ficar entre 250 mil e 350 mil ienes, variando muito conforme o turno e a demanda.
Precisa falar japonês para trabalhar no Japão?
Para fábricas via empreiteira, não necessariamente. Para efetivação, escritório e atendimento, sim: o patamar mais pedido é o N2 do JLPT.