Dekasseguis: a migração de brasileiros para o Japão desde 1990

Dekassegui (do japonês 出稼ぎ, dekasegi, "sair para ganhar dinheiro") é o nome dado no Brasil aos descendentes de japoneses e seus familiares que vão trabalhar no Japão, geralmente em fábricas. O movimento explodiu depois que o Japão revisou sua lei de imigração em 1990, criando vistos de longa duração para filhos e netos de japoneses. O número de brasileiros no Japão chegou a 316.967 no fim de 2007; no fim de 2025 eram 210.014, segundo a Agência de Serviços de Imigração do Japão.

Origem do termo
出稼ぎ (dekasegi)
Marco legal
revisão da lei de imigração japonesa (junho de 1990)
Pico
316.967 brasileiros no Japão (fim de 2007)
Programa de retorno
2009–2010 (cerca de 20 mil brasileiros)
Brasileiros no Japão hoje
210.014 (fim de 2025)
Nesta página
  1. A origem da palavra
  2. Por que começou: anos 1980 e a lei de 1990
  3. Cronologia do movimento
  4. A crise de 2008 e o programa de retorno
  5. A vida de dekassegui
  6. O retorno ao Brasil
  7. Perguntas frequentes

A origem da palavra

No Japão, dekasegi designava os camponeses do norte que passavam o inverno trabalhando nas cidades. No Brasil, a palavra ganhou grafia aportuguesada e um sentido próprio: a viagem temporária de nikkeis para o Japão. É uma inversão histórica: os avós tinham chegado ao Brasil no Kasato Maru, também com a ideia de juntar dinheiro e voltar.

Por que começou: anos 1980 e a lei de 1990

Nos anos 1980, o Brasil vivia hiperinflação e desemprego, enquanto o Japão tinha a economia da bolha e falta de operários nas fábricas de autopeças e eletrônicos. Os primeiros a ir foram isseis e nisseis com nacionalidade japonesa. Em junho de 1990, entrou em vigor a revisão da Lei de Controle de Imigração, que criou o status de residente de longo prazo (teijūsha, 定住者) para netos de japoneses (sanseis) e consolidou o visto para filhos (nisseis). O governo queria trabalhadores com "laço de sangue" em vez de imigrantes sem vínculo, e as empreiteiras (haken gaisha) passaram a recrutar diretamente no Brasil, pagando passagem e alojamento. As regras atuais estão em visto de descendente.

Cronologia do movimento

PeríodoO que aconteceu
Fim dos anos 1980Primeiras levas, ainda pequenas, de nisseis com cidadania japonesa
1990Revisão da lei de imigração cria o visto teijūsha para sanseis
1990–1995Número de brasileiros no Japão passa de cerca de 56 mil para mais de 170 mil
2007Pico: 316.967 brasileiros, a terceira maior comunidade estrangeira do Japão
2008–2009Crise financeira global; demissões em massa nas fábricas
2009–2010Programa japonês de apoio ao retorno (kikoku shien)
2011Terremoto e acidente nuclear de Fukushima aceleram retornos
2015 em dianteComunidade se estabiliza e envelhece; maioria obtém residência permanente
2018Criado o programa para descendentes de quarta geração (yonsei)
Fim de 2025210.014 brasileiros, 7ª maior nacionalidade estrangeira

A crise de 2008 e o programa de retorno

A crise financeira global atingiu em cheio a indústria automobilística de Aichi e Shizuoka, onde vivia a maior parte dos brasileiros. Trabalhadores terceirizados foram os primeiros demitidos. Em abril de 2009, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão lançou o programa de apoio ao retorno de nikkeis: 300 mil ienes por pessoa e 200 mil por dependente para a passagem, com a condição de não voltar com o mesmo visto "por um tempo". Até março de 2010, 21.675 pessoas usaram o programa, das quais 20.053 brasileiros (92,5%). Em outubro de 2013, o governo passou a permitir o retorno dessas pessoas sob certas condições, como contrato de trabalho de pelo menos um ano.

A vida de dekassegui

O trabalho típico é em linha de montagem, por meio de empreiteiras, em fábricas de autopeças, eletrônicos, alimentos e embalagens, com turnos alternados e muita hora extra (zangyō). Cidades como Hamamatsu, Toyota e Oizumi ganharam supermercados, igrejas, escolas e restaurantes brasileiros. Os maiores desafios eram a língua, a instabilidade dos contratos e a educação dos filhos, que muitas vezes ficavam entre o sistema japonês e as escolas brasileiras. A vida atual da comunidade está em brasileiros no Japão, e as condições de emprego em trabalhar no Japão.

O retorno ao Brasil

Muitos dekasseguis usaram as economias para comprar casa ou abrir negócio no Brasil. Os filhos que cresceram no Japão e voltaram enfrentaram o caminho inverso: dificuldade com o português e com o sistema escolar brasileiro. Associações nikkeis e programas de apoio em São Paulo e no Paraná passaram a oferecer orientação a retornados e a quem pensa em ir.

Perguntas frequentes

O que significa dekassegui?

Vem do japonês dekasegi (出稼ぎ), "sair de casa para trabalhar e ganhar dinheiro". No Brasil, designa o descendente de japoneses que vai trabalhar temporariamente no Japão.

Quantos dekasseguis brasileiros existem hoje?

No fim de 2025, a Agência de Serviços de Imigração do Japão registrava 210.014 brasileiros residentes. Nem todos são dekasseguis no sentido clássico: muitos vivem lá há décadas, têm residência permanente e filhos nascidos no Japão.

Ainda vale a pena ser dekassegui?

Depende do objetivo. Os salários por hora subiram com os reajustes do salário mínimo japonês, mas o iene desvalorizado desde 2022 reduziu o valor das remessas em reais. Saber japonês amplia muito as opções de trabalho além das fábricas.

Atualizado em 14/10/2026 · Seção: Brasil e Japão