Imigração japonesa no Brasil: da chegada do Kasato Maru à comunidade nikkei

A imigração japonesa no Brasil começou oficialmente em 18 de junho de 1908, quando o navio Kasato Maru chegou a Santos com 781 imigrantes. Até a década de 1970 vieram cerca de 250 mil japoneses, a maioria para a lavoura em São Paulo e no Paraná. Hoje os descendentes, chamados nikkeis (日系), somam cerca de 2 milhões de pessoas, a maior comunidade de origem japonesa fora do Japão.

Início
18 de junho de 1908 (Kasato Maru)
Imigrantes até 1941
cerca de 190 mil
Total até os anos 1970
cerca de 250 mil
Descendentes hoje
cerca de 2 milhões (estimativa)
Estados com mais nikkeis
São Paulo e Paraná
Nesta página
  1. Por que os japoneses vieram
  2. Linha do tempo
  3. O auge: anos 1920 e 1930
  4. Guerra, repressão e Shindō Renmei
  5. Do campo para a cidade
  6. Gerações nikkeis
  7. Legado
  8. Perguntas frequentes

Por que os japoneses vieram

Dois movimentos se encontraram. No Japão da era Meiji, a modernização expulsou do campo milhões de camponeses endividados, e o governo incentivava a emigração. No Brasil, o fim da escravidão (1888) e a queda da imigração italiana subsidiada deixaram as fazendas de café paulistas sem mão de obra. O Tratado de Amizade, Comércio e Navegação de 1895 abriu o caminho diplomático, como explica relações Brasil-Japão.

A maioria pretendia trabalhar alguns anos, juntar dinheiro e voltar, mentalidade de dekasegi que, décadas depois, faria o caminho inverso com os dekasseguis brasileiros no Japão.

Linha do tempo

AnoFato
1895Tratado de Amizade entre Brasil e Japão
1908Chegada do Kasato Maru a Santos
1910Chega o segundo navio, Ryojun Maru
1913Primeiras colônias próprias no Vale do Ribeira (Registro e Iguape)
1917–1924Governo japonês passa a subsidiar e organizar a emigração
1924Os EUA proíbem a entrada de imigrantes japoneses; o Brasil vira o principal destino
1927Fundação da Cooperativa Agrícola de Cotia
1934Constituição cria cotas de imigração que atingem os japoneses
1938–1941Estado Novo fecha escolas em língua estrangeira e jornais japoneses
1942Brasil rompe relações com o Japão durante a Segunda Guerra
1945–1947Conflito da Shindō Renmei entre "vitoristas" e "derrotistas"
1953Retomada da imigração no pós-guerra
1973Chegada do Nippon Maru, considerado o último navio de imigrantes
1990Lei japonesa abre caminho para os dekasseguis
2008Centenário da imigração, com visita do príncipe herdeiro Naruhito

O auge: anos 1920 e 1930

Depois das dificuldades nas fazendas de café, os japoneses passaram de colonos assalariados a pequenos proprietários. Empresas como a Kaigai Kōgyō (KKKK) e a Bratac compravam terras e fundavam núcleos como Registro, Bastos, Aliança e Assaí, detalhados em colônias japonesas no Brasil. Entre 1925 e 1935 chegou a maior parte dos cerca de 190 mil imigrantes do pré-guerra. As cooperativas agrícolas, com destaque para a de Cotia, organizaram a produção de batata, tomate, verduras e ovos para a cidade de São Paulo.

Guerra, repressão e Shindō Renmei

O nacionalismo do Estado Novo atingiu duramente a comunidade. Escolas de japonês foram fechadas em 1938, jornais proibidos em 1941 e, após o rompimento de relações em janeiro de 1942, falar japonês em público passou a ser motivo de prisão. Em julho de 1943, milhares de japoneses foram retirados à força do litoral de Santos. Isolada e sem informação confiável, parte da colônia se recusou a acreditar na rendição japonesa de 1945. A organização Shindō Renmei (臣道連盟) promoveu atentados contra os que aceitavam a derrota, deixando mais de 20 mortos até 1947, episódio retratado no filme Corações Sujos (2011), de Vicente Amorim.

Do campo para a cidade

No pós-guerra, a imigração foi retomada em 1953, agora com técnicos e agricultores com mais capital, e muitas famílias decidiram ficar definitivamente. Os filhos (nisseis) e netos (sanseis) foram para as universidades e as cidades, e o bairro da Liberdade virou símbolo da comunidade em São Paulo. A geração nascida no Brasil se destacou na medicina, na engenharia, nas artes e na política, como mostra nikkeis famosos.

Gerações nikkeis

TermoJaponêsGeração
Issei一世imigrante nascido no Japão
Nissei二世filhos, nascidos no Brasil
Sansei三世netos
Yonsei四世bisnetos
Gosei五世trinetos

A geração define até hoje o tipo de visto de descendente que se pode obter no Japão.

Legado

A influência vai muito além da mesa, tema de comida japonesa no Brasil: os imigrantes introduziram ou popularizaram o caqui fuyu, a pera nashi, o morango em escala comercial, a pimenta-do-reino na Amazônia e técnicas de horticultura do cinturão verde paulista. A data da chegada do Kasato Maru virou o Dia Nacional da Imigração Japonesa (Lei nº 11.142/2005), e o Festival do Japão, em São Paulo, reúne a cada ano cerca de 180 mil visitantes.

Perguntas frequentes

Quando começou a imigração japonesa no Brasil?

Em 18 de junho de 1908, com a chegada do Kasato Maru ao porto de Santos, trazendo 781 imigrantes contratados para fazendas de café de São Paulo.

Quantos descendentes de japoneses vivem no Brasil?

As estimativas mais citadas falam em cerca de 2 milhões de nikkeis, concentrados em São Paulo e no Paraná. Não há contagem oficial recente, porque o censo do IBGE não pergunta a ascendência.

Por que os japoneses vieram para o Brasil?

Pela combinação de pobreza no campo japonês, restrições à imigração nos Estados Unidos e demanda por mão de obra nas fazendas de café paulistas, com apoio dos governos dos dois países.

Atualizado em 14/10/2026 · Seção: Brasil e Japão