Bairro da Liberdade: o bairro japonês de São Paulo
A Liberdade é o bairro de tradição japonesa de São Paulo, no centro da cidade, a uma estação de metrô da Praça da Sé. Concentra lojas de produtos asiáticos, restaurantes de ramen e sushi, a feira de comidas da Praça da Liberdade aos fins de semana e o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil. Desde 2018, a estação de metrô se chama Japão-Liberdade, homenagem aos 110 anos da imigração.
- Cidade
- São Paulo (SP)
- Metrô
- Japão-Liberdade (Linha 1-Azul)
- Feira
- sábados e domingos na Praça da Liberdade
- Museu
- Rua São Joaquim, 381
- Festa principal
- Tanabata Matsuri (julho)
Nesta página
Como a Liberdade virou bairro japonês
O nome é anterior aos japoneses e tem origem sombria: ali ficava o Largo da Forca, onde condenados eram executados no período colonial. A Capela dos Aflitos (1779) é remanescente do antigo cemitério da região, e a Igreja de Santa Cruz das Almas dos Enforcados, na praça, lembra essa história.
Os japoneses começaram a se instalar na Rua Conde de Sarzedas por volta de 1912, quando famílias que deixaram as fazendas de café alugavam porões baratos perto do centro, como conta imigração japonesa no Brasil. Nos anos seguintes surgiram pensões, lojas de produtos japoneses, uma escola e jornais em japonês. Depois da guerra, a Rua Galvão Bueno se tornou o eixo comercial, com cinemas que exibiam filmes japoneses nos anos 1950 e 1960. A partir dos anos 1970, imigrantes chineses e coreanos também se instalaram, e o bairro passou a ser chamado de "bairro oriental". Nas últimas décadas, movimentos locais também passaram a valorizar a memória negra do bairro, ligada aos Aflitos e à forca.
O que ver
| Ponto | O que é | Dica |
|---|---|---|
| Torii da Rua Galvão Bueno | portal vermelho, cartão-postal do bairro | fica junto ao Viaduto Cidade de Osaka |
| Lanternas suzuran | luminárias vermelhas e brancas em forma de flor | as ruas ficam mais bonitas à noite |
| Praça da Liberdade | saída do metrô e local da feira | aos fins de semana fica lotada |
| Museu Histórico da Imigração Japonesa | três andares sobre a imigração desde o Kasato Maru | Rua São Joaquim, 381, no prédio do Bunkyo |
| Jardim Oriental | pequeno jardim com lago e carpas | na Rua Galvão Bueno |
| Capela dos Aflitos | igreja de 1779 | na Rua dos Aflitos, travessa da Galvão Bueno |
| Templo Busshinji | templo budista da escola Sōtō | Rua São Joaquim |
O museu, inaugurado em 1978, mostra réplicas dos alojamentos das fazendas, documentos dos navios e objetos do cotidiano das colônias. Funciona no edifício da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo), entidade central da comunidade.
Feira da Liberdade
Aos sábados e domingos, a Praça da Liberdade recebe a feira de artesanato e comidas, organizada desde os anos 1970. As barracas vendem guioza, yakisoba, takoyaki, taiyaki, tempurá e doces como manju e dorayaki. As filas mais longas se formam por volta do almoço; chegar antes das 11h evita aperto. A feira é o ponto de partida ideal para conhecer a comida japonesa no Brasil e suas adaptações locais.
Onde comer
O bairro tem de tudo, de casas de lámen com fila na calçada a restaurantes de comida caseira japonesa (teishoku), padarias com melonpan e docerias de wagashi. Os mercados da Rua Galvão Bueno e da Rua dos Estudantes vendem missô, shoyu, arroz japonês, algas e saquê, além de produtos coreanos e chineses. Para entender os pratos, veja ramen, sushi e mochi.
Festas do bairro
| Evento | Quando | Destaque |
|---|---|---|
| Tanabata Matsuri | julho | fitas coloridas e pedidos pendurados em bambus, inspirado no Tanabata |
| Moti Tsuki | fim de dezembro / Ano-Novo | preparação e distribuição de mochi |
| Hanamatsuri | abril | celebração do nascimento de Buda |
O maior evento da comunidade, porém, não acontece no bairro: é o Festival do Japão, em julho, no São Paulo Expo.
Como chegar e dicas
- Metrô: estação Japão-Liberdade, Linha 1-Azul, entre Sé e São Joaquim.
- A pé: do Marco Zero da Sé são cerca de 10 minutos.
- Segurança: o bairro é movimentado de dia; à noite, fique nas ruas comerciais e cuidado com o celular em aglomerações, como em todo o centro de São Paulo.
- Melhor horário: sábado ou domingo de manhã, para pegar a feira, o museu (confira os horários antes, pois ele fecha às segundas) e almoçar.
Perguntas frequentes
Por que o bairro se chama Liberdade?
O nome é anterior à imigração japonesa e está ligado ao antigo Largo da Forca. Segundo a tradição, a região teria ganhado o nome depois da execução do soldado Chaguinhas em 1821, cujo povo gritava "liberdade" quando a corda se rompeu.
Quando acontece a feira da Liberdade?
Aos sábados e domingos, na Praça da Liberdade, junto à saída do metrô Japão-Liberdade, durante o dia.
A Liberdade ainda é um bairro japonês?
É o centro simbólico da comunidade nikkei de São Paulo, com o museu, o Bunkyo e muitos comércios japoneses, mas hoje tem forte presença chinesa e coreana. A maioria dos descendentes de japoneses vive em outros bairros e cidades.