Jardins japoneses: estilos, elementos e onde visitar
O jardim japonês (nihon teien, 日本庭園) é uma paisagem construída para ser contemplada ou percorrida, que representa montanhas, mares e ilhas em escala reduzida com pedras, água, areia, musgo e plantas podadas. Os estilos principais são o jardim de lago para passeio (kaiyū-shiki), o jardim seco de pedras (karesansui) dos templos zen e o caminho do jardim de chá (roji). Ao contrário do jardim ocidental de canteiros, quase não usa flores em massa: o efeito vem da composição e das estações.
- Escrita
- 日本庭園 (nihon teien)
- Manual mais antigo
- Sakuteiki (século 11)
- Três grandes jardins
- Kenroku-en, Kōraku-en e Kairaku-en
- Jardim de pedras mais famoso
- Ryōan-ji (cerca de 1500)
- Mestre clássico
- Musō Soseki (1275-1351)
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Breve história
Os primeiros jardins da corte, nos períodos Asuka e Nara, tinham lagos com ilhas inspirados na China e na Coreia. No período Heian, nobres construíram jardins de lago em frente às mansões, para passeios de barco, e jardins que representavam a Terra Pura budista, como o do Byōdō-in (1053), em Uji. O Sakuteiki (作庭記), do século 11, atribuído a Tachibana no Toshitsuna, é o manual de jardinagem mais antigo do mundo ainda existente: ensina a "seguir o pedido das pedras".
Com o Zen, no período Muromachi, surgiram os jardins secos. O monge Musō Soseki (1275-1351) projetou os jardins do Tenryū-ji e do Saihō-ji. No século 16, o mestre de chá Sen no Rikyū definiu o roji, e no período Edo os daimyōs criaram grandes jardins de passeio, como os três mais famosos do país.
Tipos de jardim
| Tipo | Japonês | Como é | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Lago para passeio | Kaiyū-shiki (回遊式) | Caminho circular em volta de um lago, revelando cenas sucessivas | Kenroku-en, Katsura Rikyū |
| Seco | Karesansui (枯山水) | Pedras e cascalho rastelado representam água e ilhas, para contemplar sentado | Ryōan-ji, Daisen-in |
| De chá | Roji (露地) | Caminho de pedras até a sala de chá, com lanterna e bacia | Urasenke, Kenroku-en |
| De colina e lago | Tsukiyama (築山) | Colinas artificiais e lago | Koishikawa Kōrakuen |
| De pátio | Tsuboniwa (坪庭) | Mini-jardim interno de casas urbanas | Machiya de Quioto |
Elementos e princípios
- Pedras (ishi): o esqueleto do jardim, colocadas em grupos ímpares e assimétricos. Grupos de três podem evocar a tríade budista.
- Água: lagos, riachos, cascatas, ou areia branca rastelada em ondas no jardim seco.
- Lanternas de pedra (tōrō, 灯籠) e bacias (chōzubachi ou tsukubai).
- Pontes de pedra, madeira ou em zigue-zague (yatsuhashi).
- Musgo (koke): no Saihō-ji crescem mais de cem espécies.
- Paisagem emprestada (shakkei, 借景): montanhas ou templos distantes entram na composição, como o monte Hiei visto do Entsū-ji, em Quioto.
- Podas em nuvem (niwaki) e azaleias em bolas (ōkarikomi).
- Shishi-odoshi: bambu que enche de água, vira e bate numa pedra, originalmente para espantar animais.
A estética do vazio, da assimetria e da passagem do tempo é a mesma do wabi-sabi.
Ryōan-ji e o mistério das 15 pedras
O jardim seco do templo Ryōan-ji, em Quioto, feito por volta de 1500, é um retângulo de cascalho branco com 15 pedras em cinco grupos. De nenhum ponto da varanda é possível ver as 15 ao mesmo tempo, o que alimenta interpretações (ilhas no mar, tigresa com filhotes atravessando um rio). O autor e o significado original são desconhecidos.
Os três grandes jardins e outros imperdíveis
| Jardim | Cidade | Destaque |
|---|---|---|
| Kenroku-en (兼六園) | Kanazawa | Cordas yukitsuri nos pinheiros no inverno; lanterna Kotoji |
| Kōraku-en (後楽園) | Okayama | Gramados amplos e vista do castelo de Okayama |
| Kairaku-en (偕楽園) | Mito, Ibaraki | Cerca de 3 mil ameixeiras; festival em fevereiro e março |
| Ritsurin | Takamatsu | Seis lagos e montanha Shiun como fundo |
| Katsura Rikyū | Quioto | Vila imperial do século 17; visita guiada com reserva |
| Saihō-ji (Kokedera) | Quioto | Jardim de musgo; visita só com reserva antecipada |
| Adachi Museum of Art | Yasugi, Shimane | Eleito o melhor do Japão por uma revista especializada americana todos os anos desde 2003 |
| Rikugien e Hama-rikyū | Tóquio | Jardins de daimyō no meio da cidade |
A entrada da maioria dos jardins de templos e parques custa de 300 a 1.000 ienes; Katsura Rikyū cobra 1.000 ienes, e o Saihō-ji exige reserva com taxa de alguns milhares de ienes (valores de 2025). As melhores épocas são a florada das cerejeiras, no fim de março e abril, e as folhas de outono, em novembro. Chegue na abertura para ver os jardins de Quioto sem multidão.
Perguntas frequentes
O que significa a areia rastelada no jardim zen?
A areia ou cascalho branco representa água — mar, rio ou lagoa — e as linhas rasteladas imitam ondas e correntes. Os monges refazem o desenho regularmente, o que também é uma prática de concentração.
Quais são os três jardins mais famosos do Japão?
Kenroku-en, em Kanazawa, Kōraku-en, em Okayama, e Kairaku-en, em Mito. Os três são jardins de daimyō do período Edo, abertos ao público com ingresso.
Existem jardins japoneses no Brasil?
Sim. Há jardins japoneses no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, no Parque do Japão, em Maringá, e no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, entre outros, ligados à imigração japonesa.