Torii e arquitetura japonesa: do portal xintoísta aos Pritzker
O torii (鳥居) é o portal que marca a entrada de um santuário xintoísta: a passagem do mundo comum para o espaço do kami. Tem dois pilares e duas vigas horizontais, pode ser de madeira, pedra, concreto ou metal, e muitos são pintados de vermelho-alaranjado. Ele é o símbolo mais reconhecível de uma arquitetura que, por séculos, foi feita de madeira, encaixes sem pregos e módulos de tatame.
- Escrita
- 鳥居 (torii)
- Função
- marcar a entrada do espaço sagrado
- Torii mais famoso
- Itsukushima (atual de 1875, 16,6 m)
- Prédios de madeira mais antigos
- Hōryū-ji (fim do século 7)
- Medida-base
- tatame (cerca de 1,8 x 0,9 m)
- Prêmios Pritzker japoneses
- 8 (9 arquitetos)
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Partes e tipos de torii
A viga superior é o kasagi (笠木), a inferior é o nuki (貫), e às vezes há uma placa central com o nome do santuário (gakuzuka). Existem dezenas de variantes, mas dois grupos principais:
| Tipo | Forma | Exemplo |
|---|---|---|
| Shinmei (神明) | Linhas retas, madeira sem pintura | Ise Jingu, Santuário Meiji |
| Myōjin (明神) | Viga superior curvada para cima, geralmente vermelha | Fushimi Inari, maioria dos santuários |
| Ryōbu (両部) | Myōjin com pilares de apoio extras | Itsukushima |
| Sannō (山王) | Triângulo sobre a viga superior | Hie Jinja, Tóquio |
O vermelho (shu, 朱) tradicionalmente vinha de pigmentos à base de cinábrio, que protegiam a madeira, e simboliza proteção contra o mal. Ao passar por um torii, os japoneses costumam fazer uma leve reverência e andar pelas laterais — o centro é o caminho do kami. Mais sobre o ritual em xintoísmo.
Torii famosos
- Itsukushima (Miyajima): o "torii flutuante" no mar. O atual, de 1875, tem 16,6 m e se sustenta pelo próprio peso, sem fundação enterrada. Passou por restauração de 2019 a 2022.
- Fushimi Inari (Quioto): milhares de torii doados por empresas e pessoas, formando túneis pela montanha. Os preços de doação vão de cerca de 200 mil a mais de 1 milhão de ienes, conforme o tamanho — ver Fushimi Inari.
- Heian Jingū (Quioto): torii de concreto de 1929 com cerca de 24 m de altura.
Estilos de santuário
| Estilo | Característica | Exemplo |
|---|---|---|
| Shinmei-zukuri | Telhado de palha, madeira crua, vigas cruzadas no topo (chigi) | Ise Jingu |
| Taisha-zukuri | Planta quadrada, entrada lateral, muito alto | Izumo Taisha |
| Nagare-zukuri | Telhado frontal alongado em curva; o mais comum | Kamigamo e Shimogamo, Quioto |
| Gongen-zukuri | Vários prédios ligados, decoração colorida | Nikko Tōshōgū |
Em Ise, os prédios principais são reconstruídos do zero a cada 20 anos em terreno vizinho (Shikinen Sengū), mantendo técnicas de carpintaria vivas há mais de 1.300 anos; a última foi em 2013, a próxima está prevista para 2033.
Templos budistas e pagodes
O budismo trouxe do continente, no século 6, telhados de telha cerâmica, beirais curvos, pilares sobre bases de pedra e o pagode de várias camadas. O Hōryū-ji, perto de Nara, reúne os prédios de madeira mais antigos do mundo, do fim do século 7, e esteve entre os primeiros Patrimônios Mundiais do Japão, inscritos em 1993 junto com o castelo de Himeji. O Salão do Grande Buda do Tōdai-ji foi por muito tempo o maior prédio de madeira do mundo.
Os pagodes de cinco andares (gojū-no-tō) raramente caem em terremotos: os andares se movem de forma independente em torno de um pilar central (shinbashira). O princípio inspirou o sistema de amortecimento da Tokyo Skytree, de 634 m, que tem um núcleo central de concreto.
A casa tradicional
- Tatame (畳): esteira de palha de arroz e junco; a medida dos cômodos é dada em número de tatames. O tamanho varia por região: o tatame de Quioto (kyōma) mede cerca de 1,91 x 0,95 m, e o de Edo (edoma), cerca de 1,76 x 0,88 m.
- Shōji (障子) e fusuma (襖): portas de correr de papel translúcido e de papel opaco.
- Engawa (縁側): varanda de madeira entre a casa e o jardim — ver jardins japoneses.
- Tokonoma (床の間): nicho decorativo para caligrafia e arranjo floral.
- Genkan (玄関): entrada rebaixada onde se tiram os sapatos.
Exemplos vivos: as casas gasshō-zukuri de telhado de palha íngreme de Shirakawa-go, Patrimônio Mundial desde 1995, e as machiya (casas-loja estreitas e compridas) de Quioto.
Arquitetura moderna
O Japão está entre os países com mais vencedores do Prêmio Pritzker, o "Nobel da arquitetura": Kenzō Tange (1987), autor do Ginásio Nacional de Yoyogi para a Olimpíada de 1964; Fumihiko Maki (1993); Tadao Andō (1995), do concreto aparente e da Igreja da Luz; Kazuyo Sejima e Ryūe Nishizawa (SANAA, 2010); Toyo Itō (2013); Shigeru Ban (2014), conhecido pelos abrigos de tubos de papel; Arata Isozaki (2019); e Riken Yamamoto (2024). Na ilha de Naoshima, museus de Andō formam um roteiro de arquitetura contemporânea.
Perguntas frequentes
Por que os torii são vermelhos?
O vermelho-alaranjado era obtido de pigmentos com mercúrio e chumbo, que protegiam a madeira contra insetos e apodrecimento, e a cor é associada à proteção contra maus espíritos e à vitalidade. É típico dos santuários de Inari. Santuários antigos como Ise usam madeira sem pintura.
Pode passar pelo meio do torii?
Pode, mas a etiqueta tradicional recomenda andar pelas laterais, porque o centro (seichū) é considerado o caminho do kami, e fazer uma leve reverência antes de passar.
Por que as casas japonesas antigas são de madeira?
A madeira era abundante, flexível em terremotos e adequada ao clima úmido, e podia ser desmontada e reconstruída. A desvantagem eram os incêndios, que destruíram cidades inteiras ao longo da história.